Musculação deixa o jogador de futebol lento? O que a ciência realmente diz
- Lucas Damacena
- 31 de jul.
- 4 min de leitura
Por STRIKE Performance Club

Você já ouviu alguém dizer que jogador de futebol não pode fazer muita musculação porque vai ficar "pesado" ou "travado"? Essa é uma das crenças mais antigas do esporte.
Mas será que isso é verdade?
A resposta é simples: não.
Na realidade, as evidências científicas mostram exatamente o contrário. Quando o treinamento é bem planejado, desenvolver força pode fazer o jogador correr mais rápido, saltar mais alto, vencer mais disputas físicas e reduzir o risco de lesões.
Neste artigo, você vai entender por que a musculação não é inimiga da velocidade e como ela pode ser uma das maiores aliadas da sua evolução dentro de campo.
O futebol mudou — e o físico do jogador também

Basta assistir a um jogo de futebol de 20 anos atrás e comparar com uma partida da atualidade.
O jogo ficou mais rápido. As transições são mais intensas. As disputas físicas acontecem o tempo todo. Os jogadores aceleram, desaceleram, mudam de direção e repetem sprints diversas vezes durante os 90 minutos.
Segundo um estudo de Faude, Koch e Meyer (2012), a maioria dos gols no futebol profissional acontece após ações de alta intensidade, principalmente sprints curtos. Isso mostra que velocidade e explosão são decisivas para o desempenho.
E existe um detalhe importante: para ser explosivo, primeiro é preciso ser forte.
Afinal, o que é força?
Quando falamos em força, muita gente imagina apenas levantar pesos pesados na academia.
Na ciência do esporte, força é a capacidade que o corpo tem de produzir tensão para vencer uma resistência.
No futebol, essa capacidade aparece em praticamente todas as ações do jogo:
acelerar para alcançar uma bola;
proteger a posse contra um adversário;
disputar uma dividida;
saltar para cabecear;
mudar de direção rapidamente;
chutar com potência.
Quanto maior a capacidade de produzir força, maior tende a ser o potencial para realizar essas ações com eficiência.
Então por que existe o mito de que musculação deixa lento?
Porque muitas pessoas confundem dois objetivos completamente diferentes.
Um fisiculturista treina para desenvolver o máximo de massa muscular possível.
Já um jogador de futebol treina para melhorar o desempenho esportivo.
Embora ambos utilizem musculação, a forma de treinar é diferente.
Um programa voltado para o futebol prioriza:
força;
potência;
velocidade de movimento;
coordenação;
estabilidade;
prevenção de lesões.
O objetivo não é construir o maior músculo possível, mas desenvolver um corpo capaz de produzir força rapidamente.
A força é a base da velocidade
Imagine dois carros, um deles tem um motor potente, o outro tem um motor fraco.
Qual deles acelera mais rápido?
Com o corpo humano acontece algo semelhante.
Para acelerar, o atleta precisa aplicar força contra o solo em pouquíssimo tempo.
Quanto maior essa capacidade, maior tende a ser sua aceleração.
Foi exatamente isso que Wisløff e colaboradores (2004) encontraram ao estudar jogadores profissionais de futebol.
Os atletas que apresentavam maior força no agachamento também eram os que:
corriam mais rápido;
saltavam mais alto;
tinham melhor desempenho físico.
Em outras palavras, jogadores mais fortes também eram jogadores mais explosivos.
Força não significa ganhar muito peso
Esse é um dos maiores equívocos.
Muitas pessoas acreditam que aumentar a força significa necessariamente ganhar muitos quilos de massa muscular, mas isso não acontece.
Nas primeiras semanas de treinamento, grande parte da evolução acontece porque o sistema nervoso aprende a utilizar melhor a musculatura que você já possui.
Esse processo é chamado de adaptação neural.
Seu cérebro passa a recrutar mais fibras musculares, com mais velocidade e eficiência.
O resultado?
Você fica mais forte sem precisar aumentar muito o peso corporal.
Para um jogador de futebol, isso é extremamente importante.
O segredo está na força relativa
No futebol, não vence quem levanta mais peso.
Vence quem consegue produzir mais força em relação ao próprio corpo.
Isso é chamado de força relativa.
Imagine dois atletas:
Jogador A
pesa 68 kg;
agacha 140 kg.
Jogador B
pesa 95 kg;
agacha 150 kg.
Embora o segundo levante uma carga maior, o primeiro possui uma força relativa superior.
Essa característica costuma estar associada a melhores resultados em aceleração, impulsão e mudanças de direção.
Por isso, o foco da preparação física no futebol não deve ser apenas aumentar a carga na barra, mas melhorar a relação entre força e peso corporal.
Quais exercícios realmente ajudam um jogador?
esse aqui vou responder em nosso instagram @STRIKE.BR
Só fazer musculação é suficiente?
Não.
O treinamento de força é apenas uma parte da preparação física.
O jogador também precisa desenvolver:
velocidade;
aceleração;
técnica de corrida;
mudanças de direção;
potência;
pliometria;
resistência específica.
Essas capacidades trabalham juntas.
O que podemos aprender com os grandes jogadores?
Atletas como Cristiano Ronaldo, Erling Haaland, Jude Bellingham e Vinícius Júnior possuem características diferentes.
Mas existe algo em comum entre eles, todos incluem o treinamento de força em suas rotinas.
Eles não treinam para parecer fisiculturistas, treinam para correr mais rápido, saltar mais alto, suportar contatos físicos e manter alto desempenho até os minutos finais da partida.
A musculação é uma ferramenta para alcançar esse objetivo.
Conclusão
A ideia de que musculação deixa o jogador de futebol lento não encontra apoio nas evidências científicas.
Quando o treinamento é planejado de acordo com as necessidades do esporte, ele contribui para aumentar a força, melhorar a velocidade, potencializar a aceleração, reduzir lesões e elevar o desempenho em campo.
O problema nunca foi a musculação.
O problema é treinar sem planejamento e sem entender as exigências do futebol.
Na STRIKE, acreditamos que um jogador completo não é apenas técnico ou resistente. Ele também precisa ser forte, explosivo e preparado para responder às exigências do futebol moderno.
Porque, no fim das contas, a força não substitui a velocidade.
Ela ajuda a construí-la.
Referências científicas
Wisløff U, Castagna C, Helgerud J, Jones R, Hoff J. Strong Correlation of Maximal Squat Strength with Sprint Performance and Vertical Jump Height in Elite Soccer Players. British Journal of Sports Medicine, 2004.
Suchomel TJ, Nimphius S, Stone MH. The Importance of Muscular Strength in Athletic Performance. Sports Medicine, 2016.
Cormie P, McGuigan MR, Newton RU. Developing Maximal Neuromuscular Power: Part 1–2. Sports Medicine, 2011.
Faude O, Koch T, Meyer T. Straight Sprinting Is the Most Frequent Action in Goal Situations in Professional Football. Journal of Sports Sciences, 2012.
Lesinski M, Prieske O, Granacher U. Effects and Dose–Response Relationships of Resistance Training on Physical Performance in Youth Athletes. British Journal of Sports Medicine, 2016.
Lauersen JB, Bertelsen DM, Andersen LB. The Effectiveness of Exercise Interventions to Prevent Sports Injuries: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomised Controlled Trials. British Journal of Sports Medicine, 2014.



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